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Banco de Dados 02 de setembro de 2026 6 min de leitura

DataEase: o Low-Code que já existia nos anos 80

Muito antes do termo Low-Code virar moda, o DataEase já deixava gente que não era programador criar telas, validações e relatórios arrastando campos na tela. Um passeio pelo SGBDR que democratizou o desenvolvimento — e pelo que ele ainda tem a nos ensinar.

DataEase: o Low-Code que já existia nos anos 80

Toda vez que alguém me apresenta uma plataforma Low-Code como se fosse a maior invenção da década, eu sorrio. Nos anos 80 e 90, antes do termo existir, o DataEase já fazia exatamente isso — e fazia bem.

Ele era um SGBDR de verdade, com uma camada RAD por cima, e permitia que gente que nunca tinha escrito uma linha de código criasse telas, regras de validação e relatórios visualmente. Sem compilador, sem framework, sem pipeline. Só você, o teclado e a tela.

O que fazia do DataEase um gigante

Ilustração de um construtor visual de formulários ligado a um esquema de banco de dados

Desenvolvimento visual de verdade

Você arrastava os elementos para montar o formulário e, magicamente, a estrutura do banco era alterada junto. Modelagem e interface no mesmo gesto. Hoje chamaríamos isso de schema-first by design; na época era só eficiência pura.

Linguagem própria: a DQL

A DataEase Query Language era intuitiva o suficiente para extrair relatórios complexos sem dominar SQL. Era uma abstração honesta: escondia a complexidade sem esconder o resultado. Quem depois foi para o SQL tradicional — e eu falo bastante disso nos meus treinamentos e no meu livro de MySQL — chegou com o raciocínio de conjuntos já formado.

Do DOS para o Windows

Nasceu no DOS e se adaptou ao Windows 3.1 e 95. Sobreviver a uma troca de paradigma gráfico não é pouca coisa: muita ferramenta boa morreu exatamente nessa curva.

Uso corporativo em larga escala

Foram milhões de licenças. NASA, Pentágono, grandes bancos — sistemas críticos rodando em cima de uma ferramenta que o mercado tratava como "coisa de usuário final".

Por que ele perdeu espaço

Computador antigo se dissolvendo em partículas que formam um datacenter em nuvem

A chegada do Microsoft Access, embutido no Office, mudou a economia do jogo: não se compete com o que já vem instalado. Somado à ascensão da web, o DataEase foi empurrado para o canto do legado. Mesmo assim ele continua recebendo atualizações para sistemas que nunca pararam de rodar — e isso, por si só, diz muito.

A lição que continua valendo

O ciclo se repete. As plataformas Low-Code e, agora, os agentes de IA prometem a mesma coisa que o DataEase prometeu: tirar o atrito entre a ideia e o sistema funcionando. E os riscos também se repetem — dependência de fornecedor, dificuldade de migração e a ilusão de que ferramenta substitui modelagem.

Se esse tema te interessa, dei uma olhada nas contas dessa nova onda em O custo invisível do Agentic AI e no A era dos Tokens. A tecnologia muda de nome; a conta continua chegando.

Ferramenta boa não substitui modelagem boa. Nunca substituiu.

Se quiser continuar essa viagem no tempo, leia também sobre o BLIS/COBOL e o SISCO MB-10000 e sobre a Reserva de Mercado e o TK2000.

E você, já trabalhou com DataEase ou tem algum sistema legado rodando nele? Me conta — histórias de legado são as melhores.