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Ciência e Tecnologia 23 de setembro de 2026 11 min de leitura

Licenciamento Oracle explicado: Processor, NUP e core factor

Como a Oracle conta o que você deve: unidade de processador com core factor, Named User Plus com mínimos, o que muda no Standard Edition 2 e por que virtualização é o item mais caro da auditoria.

Licenciamento Oracle explicado: Processor, NUP e core factor

Licenciamento Oracle não é complicado por acidente. É um modelo construído em camadas, e cada camada tem uma regra que muda o número final. Quem entende as regras negocia. Quem não entende assina.

Diagrama de sockets e cores conectados a certificados de licença e um seletor de fator multiplicador
Cores, fator multiplicador e certificados: a conta começa no hardware.

As duas métricas

Processor

Você licencia a capacidade do hardware, independentemente de quantas pessoas usam. No Enterprise Edition a conta é:

licencas = total_de_cores × core_factor   (arredondado para cima)

O core factor vem de uma tabela publicada pela Oracle e depende do processador. Os valores mais comuns:

ProcessadorCore factor típico
Intel/AMD x860,5
IBM POWER1,0
SPARC (varia por modelo)0,25 a 0,75

Servidor x86 com 2 sockets de 16 cores: 32 cores × 0,5 = 16 licenças Processor. A lista do Enterprise Edition é US$ 47.500 por licença, mais 22% ao ano de suporte. Faça a conta devagar: dá US$ 760 mil de licença e cerca de US$ 167 mil por ano — em um único servidor, a preço de lista.

Named User Plus (NUP)

Você licencia pessoas e dispositivos que acessam o banco, direta ou indiretamente. Mais barato por unidade, mas com mínimo obrigatório: no Enterprise Edition, 25 NUP por licença Processor.

Mesmo servidor de 16 licencas Processor:
minimo = 16 × 25 = 400 NUP, mesmo que so 30 pessoas usem.

NUP compensa em ambiente pequeno e fechado — desenvolvimento, um sistema interno com poucos usuários. Para qualquer coisa exposta na web, esqueça: usuário indireto conta, e você não tem como enumerar a internet.

Standard Edition 2: outra régua

A SE2 tem regras próprias, e mais simples:

  • Licenciada por socket, não por core — core factor não se aplica.
  • Máximo de 2 sockets no servidor (ou no cluster inteiro).
  • Limite interno de 16 threads de CPU por instância, imposto pelo próprio software.
  • Mínimo de 10 NUP por servidor, quando licenciada por usuário.

Preços de lista: US$ 17.500 por socket, ou US$ 350 por NUP, ambos com 22% de suporte ao ano. Os números completos estão em quanto custa um Oracle Standard Edition 2.

Virtualização: o item mais caro da auditoria

Aqui mora o maior risco financeiro, e ele não é técnico — é contratual. A Oracle distingue hard partitioning (aceito para reduzir a contagem) de soft partitioning (não aceito).

TecnologiaPosição da Oracle
Oracle VM, LPAR, Solaris Zones (capped), Oracle Linux KVM com CPU pinningHard partitioning — licencia só a parte
VMware, Hyper-V, KVM genéricoSoft partitioning — a Oracle cobra o cluster inteiro
Contêineres sobre host não dedicadoLicencia o host inteiro

Traduzindo: uma VM de 4 vCPUs num cluster VMware de 20 hosts pode ser cobrada como os 20 hosts, porque a VM poderia migrar para qualquer um deles. A defesa prática é isolar Oracle em um cluster físico dedicado, com afinidade rígida, e guardar evidência disso. Isso é política comercial, não termo contratual automático — mas é a posição que a auditoria vai sustentar.

Não produção também paga

Desenvolvimento, homologação, treinamento e testes precisam de licença como produção. As duas exceções úteis:

  • Standby frio: um servidor de failover que fica desligado pode rodar até 10 dias por ano civil sem licença separada, desde que o storage seja compartilhado.
  • Backup em fita/mídia: a cópia em si não é instalação licenciável.

Data Guard com standby aberto para leitura (Active Data Guard) é opção paga, à parte, e exige o Enterprise Edition.

O inventário que você deveria rodar antes da Oracle rodar

-- Opcoes e packs efetivamente utilizados
SELECT name, detected_usages, first_usage_date, last_usage_date
FROM   dba_feature_usage_statistics
WHERE  detected_usages > 0
  AND  name IN ('Partitioning (user)','Advanced Compression',
                'Real Application Clusters','Active Data Guard',
                'Diagnostic Pack','Tuning Pack','Advanced Security',
                'Spatial','Label Security','In-Memory Column Store')
ORDER  BY last_usage_date DESC;

-- Contagem de CPU que o banco enxerga
SELECT name, value FROM v$parameter WHERE name IN ('cpu_count','resource_manager_cpu_allocation');

-- Usuarios reais (base para estimar NUP)
SELECT COUNT(DISTINCT username) FROM dba_users WHERE account_status = 'OPEN';

Rodar isso uma vez por trimestre e guardar o resultado é a melhor apólice de seguro barata que existe nesse assunto. Se o número te assustar, o caminho está em custo real, licenciamento e alternativas.


Sobre o autor: Alexandre Almeida atua com bancos de dados há mais de 25 anos, foi instrutor oficial de Oracle e MySQL para mais de 1.000 alunos e escreveu Aprendendo MySQL: Prática, Teoria e Laboratórios.

Fontes: Oracle Processor Core Factor Table; Oracle Database Licensing Information User Manual; Oracle Partitioning Policy; Oracle Technology Global Price List. Preços de lista, sem desconto, sujeitos a alteração — confirme sempre com seu contrato.